06/08/2014 -
Correio Web - Cigarros contrabandeados tornam o tabagismo ainda mais perigoso. Pesquisa desenvolvida desde 2012 na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) analisou 18 marcas contrabandeadas do Paraguai e mostra concentração ainda mais alta de metais cancerígenos e agentes de contaminação como colônias de ácaros e fungos. Pêlo de animais, terra, areia, vestígios de plásticos, restos de insetos, colônias de fungos, ácaros e metais cancerígenos como chumbo (quantidade até 116 superior aos vendidos legalmente, metal extremamente tóxico relacionado, inclusive, à malformação de fetos), cádmio, níquel (agente altamente genotóxico e pode causar mutações no DNA, alergias de pele, fibrose pulmonar, problemas nos rins e envenenamento do sistema cardiovascular), cromo (concentração 33 vezes superiores, causa também formação de úlceras, bronquite crônica e diminuição da função dos pulmões) e manganês (causa também doença conhecida como manganismo, com sintomas semelhantes ao Parkinson, e pode ser neurodegenerativo) estão por trás do cigarro que vem do Paraguai. Um dado assustador mostra que algumas marcas contrabandeadas têm quantidade de nicotina de dez a 20 vezes superior do produto nacional. (veja outros resultados ao final dessa matéria). "A probabilidade é de 99% de achar algum um pedaço de plástico no cigarro paraguaio. A gente encontrou a ponta de um filtro inundada de ácaros, isso vai direto para o pulmão"", alerta Cleber Pinto da Silva, mestrando em química aplicada da UEPG, autor do trabalho, que lembra que no Paraguai esse produto é legalizado e tem, inclusive, registro"04/08/2014 -
O Globo - Modelo de produção controlado pelas fabricantes de cigarros faz plantadores no RS se endividarem. Um produtor que trabalha desde os 7 anos tem débito de R$ 70 mil. - Há um alto investimento, que o produtor vai pagar em dez, 20 anos, e nesse período ele se torna refém da indústria. Acaba sendo um mecanismo de escravidão - denuncia Amadeu Bonato, pesquisador do Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais (Deser). - Teria investido no leite, mas não acredito que dê para fazer isso agora - diz Lauro Leitzke, que contraiu dívida de R$ 40 mil, fala pouco e com semblante triste. Pesquisador do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde da Fiocruz, Marcelo Moreno entrevistou 71 mulheres do município de Palmeira (PR) e investigou como elas enxergavam a fumicultura. - Elas já conhecem a intoxicação por agrotóxico, o câncer relacionado à radiação solar, a doença da folha, os problemas osteomusculares pelo levantamento de peso, o trabalho extenuante... - comenta Moreno, que explica por que elas permanem no ciclo degradante: - Notamos um sistema integrado de produção que amarra o produtor. Existe uma dependência econômica. É um grande problema o medo de sair e achar que não vai conseguir sobreviver, mesmo sabendo que está adoecendo03/08/2014 -
O Globo - Plantação de tabaco emprega crianças e desmata, diz Ministério Público do Trabalho do Paraná. E não é só aí que recai a insustentabilidade do sistema: além do contato com nicotina e agrotóxicos, há frequentes denúncias de contaminação de solo e água. Quase 90% dos agricultores não completaram o ensino fundamental, segundo dados da Universidade de Santa Cruz do Sul (RS). Ao todo, cerca de 150 mil crianças são de famílias de agricultores de tabaco. Um levantamento de 2008 com 1.128 fumicultores do Sul feito pelo Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais (Deser) mostra que 40% dos filhos homens e quase 20% das mulheres, além de 9% dos filhos abaixo de 12 anos, auxiliam no cultivo. Um problema que não é só brasileiro. Em maio, a ONG Human Rights Watch denunciou o trabalho infantil nas lavouras americanas de fumo. - As crianças vão à escola e ajudam na lavoura no resto do dia. A colheita é no final do ano, quando elas estão de férias - explica a procuradora Regional do Trabalho no Paraná, Margaret Matos, que há quase duas décadas acompanha o modelo de produção no Sul. - A indústria sabe quantas pessoas são necessárias para produzir e sabe que a família acaba participando. Portanto, beneficia-se de mão de obra não remunerada. É um sistema perverso. De acordo com ela, estudos mostram que as crianças sofrem mais do que os adultos com os agrotóxicos. E outros sugerem até mesmo déficit de crescimento e de cognição, além de desnutrição. A fiscalização tem aumentando, por isso os agricultores já compreendem que é ilegal empregar os filhos pequenos. A função, entretanto, vem de pai para filho. Jovens e adultos contam ter começado cedo. O desmatamento foi constatado pelo Ibama, que, num relatório recente, contou 20 hectares de Mata Atlântica destruídos no entorno de Segredo (RS). - Além de limpar a área para plantar mais fumo, eles usavam a madeira para a secagem das folhas - relata o procurador federal Roberto Rigon. Uma das minhas propostas é estabelecer uma licença ambiental para as estufas, elas queimam lenha e liberam gás carbônico não monitorado, diz o procurador02/08/2014 -
O Globo - Guimbas de cigarro: 4 trilhões de ameaças à saúde e ao meio ambiente. Dos 5,6 trilhões de cigarros fumados anualmente no mundo, mais de 4 trilhões foram descartados em lugar inapropriado, poluindo o solo e a água, segundo levantamento do Projeto Cigarette Butt Pollution. Filtros costumam ser arremessados no mar e, assim, prejudicam a cadeia alimentar. Seus componentes químicos, que incluem uma série de metais pesados, são ingeridos por peixes e aves marinhas - e estes, depois, são consumidos pelo homem. A ameaça é agravada pelo tempo que essas substâncias passam expostas no oceano. A decomposição do filtro das guimbas pode demorar até cinco anos. Nos últimos 27 anos, o Programa Internacional de Limpeza das Zonas Costeiras recolheu mais de 52 milhões de filtros de cigarro, uma quantidade quase oito vezes maior que a de latas de bebida encontradas. As guimbas representaram 32% de todos os detritos coletados pela iniciativa. - É impressionante como este tema foi tão negligenciado até agora - criticou Thomas Novotny, Professor de Saúde Global da Universidade de San Diego. - Provavelmente não vemos discussões porque as pessoas veem as guimbas apenas como pequenos pedaços de lixo, que não causariam qualquer perigo. A solução, para o especialista, é simples: atacar o bolso das empresas